domingo, 14 de dezembro de 2014

O visitante é quem nos ensina


"No último domingo - dia 14 - fiz uma visita pela Casa das Rosas com o Pedro, portador de deficiência visual. A pouca frequência de visitantes com essa particularidade nos espaços públicos (muitas vezes porque os locais não estão devidamente preparados) faz com que nossa experiência seja mais limitada nesse sentido. Assim, aqui vai meu registro sobre como passar por essa visita modificou o meu próprio modo de conhecer e explorar a Casa.

Conheci o Pedro enquanto ele estava na plateia acompanhando a contação de histórias que acontecia pela manhã, no mesmo dia.  O João, um dos seguranças da Casa, avisou à equipe do educativo, que estava presente, sobre o interesse do visitante em conhecer a Casa acompanhado por alguém da equipe. Terminada a contação abordei o Pedro e começamos nossa conversa. 


Ele já havia ouvido falar da Casa das Rosas, mas era a sua primeira visita ao local. Nesta ocasião veio para conferir a participação da cantora Adriana Calcanhoto no show de Cid Campos em comemoração ao aniversário da Casa das Rosas, no evento "10xPoema". Contei a ele sobre a origem da Casa (uma vez que já havia ouvido falar do arquiteto Ramos de Azevedo), desde o momento em que abrigou a família que aqui morava até o atual momento. 

Convidei-o para dar uma volta pelo espaço e, como ele tinha bastante desenvoltura para se locomover, somente o acompanhei descrevendo o lugar, os desenhos e ornamentos dos pisos, dos tetos, as cores, os materiais e a função tanto original como atual de cada cômodo. 

Chamei atenção para os detalhes aonde era possível tocar: os espelhos, a cerâmica dos banheiros, os detalhes do para peito e corrimão da escada, os detalhes das salas, os tecidos das paredes, a porta do cofre...Se não estivesse chovendo, eu ainda iria propor que experimentássemos o cheiro das rosas do jardim. Afinal, são as flores que dão o nome referencial à Casa. 


                          

Acima: o contorno da porta do cofre (à esquerda) e o parapeito da escada (à direita). Abaixo, detalhes da parede (esquerda) e da escada (direita)

      
Pedro contou que participa frequentemente de atividades culturais e, acredito que isso deve ser fundamental não só para sua saúde cognitiva e psicológica (assim como para qualquer pessoa) quanto para exercitar sua disposição e coragem de conviver com a ausência da visão. Entre os espaços culturais que gosta de frequentar citou a Pinacoteca do Estado, o Museu de Artes Sacras e o Centro Cultural São Paulo, entre outros. Antes mesmo de visitar a Casa das Rosas havia participado do passeio "bike tour" pela Av. Paulista e depois daqui seu plano era ir ao Jabaquara, assistir à missa das oito horas, na Igreja de São Judas. Também citou a Fundação Dorina Nowill como sua grande parceira para enfrentar os desafios causados pela cegueira. 

Libertar-se de parâmetros visuais mostra o quão importante é trabalhar a sensibilidade para saber lidar com as diversas particularidades do público. A arte faz um convite a decifra-la através de sua linguagem. Porque então não nos colocamos mais abertos para compreender outras formas de expressão humana? 


A visita ficou ainda mais agradável pela questão da poesia. Léo Akio, meu colega do Núcleo Educativo, recitou a poesia "Gravador" de Patativa do Assaré. 

O educador Léo Akio recitando "Gravador" para o Pedro.


Assim que o Léo terminou, um visitante que observava aquele momento perguntou ao Pedro se ele poderia recitar uma outra poesia. Ele aceitou e o visitante declamou "Versos Íntimos" presente na exposição "Esdrúxulo!", em cartaz aqui na Casa das Rosas em comemoração ao centenário da morte do poeta Augusto do Anjos.  



Para quem trabalha em setores educativos de museus, exposições ou centros culturais, é comum a discordância quanto ao uso da palavra "guia" para se referir à função educativa. Compartilho dessa ideia partindo do princípio de que essa abordagem consiste na função de trazer informações mais objetivas dos espaços. Não tenho nada contra essa atividade. Fornecer informações também cumpre uma demanda importante e faz parte do trabalho na área de turismo por exemplo. Porém, quando a visita consiste somente em descrever, me coloco no papel de portadora das informações e corro o risco de contribuir para que os visitantes participem de forma passiva, enquanto que a abordagem educativa busca estabelecer um encontro com maior troca entre educadores e o público. 

Uma abordagem puramente ilustrativa pode não abrir possibilidades para uma troca de percepções entre "quem mostra" e quem "recebe" essas informações sobre o lugar. Quanto mais a troca acontece ambos recebem e ambos mostram. 

Na visita com o Pedro pude exercitar as diferentes abordagens, desde um aspecto mais descritivo como o do guia, até o interesse a respeito de seu universo e de como ele imaginava o espaço visitado.

E assim encerrei a tarde com outras percepções e lições que reverberarão na minha vida e somam ao meu repertório como educadora e como pessoa. 

A visita pode ser uma troca, e é o visitante quem traz o tom e suas sinestesias." 

Por Luciana Félix, educadora do Núcleo Educativo da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. 

Família, familiar, familiares

Hoje, domingo, às 11h30, a entrada do almoço foi a apresentação da Cia Aurora da História.
Bianca Lopresti e Rafael Werblowsky ocuparam o jardim da Casa das Rosas em um clima bem familiar. Crianças, caretas, bicicletas, brincos, brincadeiras, facão, carrinhos, amigos, avós, pais, mães, rabanetes, barquinhos e laranjas marcaram presença no evento. 
Vejam as fotos!








domingo, 7 de dezembro de 2014

A Palavra

Simples, bonito e desmistificado. Palavra, presença e poesia.
Hoje o domingo foi da artista Sandra Brito coma a performance "Poema ao vivo e a cores":
Os interessados sentavam na frente da artista e compartilhavam uma palavra, em poucos minutos, ganhavam um poema.

Fotos: Alessandra Noronha













quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Fórum

Hoje Leonardo Akio e Raphaela Melsohn conduziram o Fórum de Captação de Recursos para Projetos Culturais, evento organizado na Casa das Rosas pelo Centro de Apoio ao Escritor (CAE). O encontro foi um grande debate sobre financiamentos coletivos - crowdfunding. No Fórum conversamos sobre o papel atual do artista e dividimos experiencias e questões sobre produção cultural.




domingo, 30 de novembro de 2014

O que te faz chorar?









Essa foi a pergunta final da contação de história do Grupo 4 meninas. A mesma pergunta também foi início de uma atividade proposta pelo grupo após sua apresentação - construir um varal de cordéis.

Hoje o evento foi ao ar livre e até o clima de São Paulo entrou na brincadeira. Inicialmente, o dia nasceu com um calor e sol de queimar a moleira, porém, ao longo do dia (especialmente alguns minutos antes da início da apresentação) houve uma virada climática. O sol desapareceu e as nuvens carregadas de chuva começaram a ameaçar a tarde.
No início da apresentação alguns pequenos e finos pingos surgiram, mas como eu disse, o clima também entrou na brincadeira e não atrapalhou o evento, pelo contrário, apenas ambientou ainda mais a história "Ela tem olhos de céu", adaptação do livro homônimo de Socorro Acione publicado pela Editora Gaivota. Na história, toda vez que a menina Sebastiana chora, chove... Confiram as fotos!